
O que é o contrário do amarelo? O que é o contrário de tirar um curso de medicina? O que é o contrário de escrever um livro?
Tantas perguntas. Nenhuma resposta.
Quando alguém nos aconselha: "Whatever you think, think the opposite", que espécie de conselho está a dar-nos ? Poderemos tomá-lo a sério?
Será que Paul Arden fez um livro ao contrário quando fez o seu?
Vejamos.
Os best-sellers da literatura de negócios têm todos um certo número de coisas em comum:
1. Assentam numa ideia muito simples, usualmente trivial;
2. Escarrapacham-na na capa de uma forma apelativa para pessoas preguiçosas ou ignorantes, que anseiam ter êxito sem precisarem de se esforçar muito na vida;
3. Têm pouco texto, composto com letras muito grandes e organizado em parágrafos telegráficos;
4. Fogem a raciocínios complicados;
5. Repetem ad nauseam as mesmas ideias (?) simples recorrendo a uma mão cheia de historietas;
6. Descem ao nível de compreensão de qualquer analfabeto;
7. Enchem o livro de bonecos que incentivam os curiosos a folhearem-no.
Será que Paul Arden fez o contrário disto?
No way! Pelo contrário, esforçou-se por levar até ao limite esta lógica que comprovadamente agrada a mentecaptos e assegura o sucesso editorial a qualquer autor da treta.
Em Inglaterra, um livro deste não faz muito mal, porque os jovens aprendem nas escolas a trabalhar a sério. Um bocadinho de desbunda até pode ajudar a desformatar espíritos excessivamente condicionados.
Entre nós, porém, é desastroso. Porque por cá abunda o talento, mas fazem falta o pensamento disciplinado e o profissionalismo. Receitas que prometem felicidade sem dor são aceites acriticamente por se adequarem tão bem à mentalidade supersticiosa reinante.
A questão não é, acreditem-me, fazer meramente ao contrário, é diferenciarmo-nos de forma significativa e relevante. E, para isso, é preciso começar por aprender muito, trabalhar muito e pensar muito.



