15.11.07

3ª Quinta do Marketing

Participei na semana passada, juntamente com o Luiz Moutinho e o Carlos Coelho (o Luís Rasquilha não pôde comparecer), na "Quinta do Marketing", um seminário organizado pela Associação de Estudantes da Escola Superior de Educação de Coimbra de há três anos a esta parte.

O meu tema foi o "Marketing Ombro a Ombro", que, como o próprio nome sugere, é o marketing que não fala de cima para baixo nem de fora para dentro. Quem quiser saber mais poderá ir aqui.

Fiquei um bocado preocupado quando me informaram de que, naquela escola, os estudantes são obrigados a estudar pelo meu livro. Que espécie de sentimentos abrigariam em relação a mim?

Afinal, correu tudo bem, num ambiente de grande participação e entusiasmo. Os meus parabéns e agradecimentos a todos, especialmente à Virgínia Pereira e à Alexandra Leandro.

8.11.07

Quem precisa de designers?

Desde o famoso anúncio da Amnistia Internacional denunciando o tráfico de armas até esta impagável peça de televendas, o mundo da publicidade de reposta directa é um farto manancial de inspiração para as paródias dos criativos que se vêem como estando do outro lado da barricada. .

No entanto, mesmo com a oposição dos publicitários mais talentosos do planeta, estas fórmulas de tantas décadas continuam aí, aparentemente mantendo alguma eficácia, e os seus defensores também não são meigos quando falam da publicidade ao gosto de Madison Avenue -- dirigindo-se principalmente a audiências de pequenos anunciantes para quem a maior ou menor taxa de resposta e conversão de um anúncio não é uma questão de estética, mas de vida ou morte.

São, portanto, duas escolas em guerra. O que, ainda que dê azo a estes divertidíssimos spoofs, é uma enorme tolice. Teriam tanto a aprender um com o outro estes dois mundos paralelos.

7.11.07

Confiança on e offline


Um estudo recentemente conduzido pela Nielsen em 47 países (entre eles Portugal) junto de 26.846 utilizadores da internet analisou as atitudes dos consumidores em relação a 13 formas diferentes de publicidade.

Em geral, os Filipinos (67%) e os Brasileiros (67%) são os povos que mais confiam na publicidade. Os mais desconfiados são os Dinamarqueses (só 28%) e os Italianos (32%). Os Portugueses situam-se a meio da tabela.

As recomendações de consumidores (78%) e as opiniões de consumidores colocadas online (61%) encontram-se no topo em termos de geração de confiança. Quanto à publicidade propriamente dita, são os jornais (63%) que obtêm um melhor registo, mas as outras formas de publicidade nos mass media também não aparecem muito mal classificadas.

Do que os consumidores desconfiam mesmo é dos anúncios nos telemóveis (apenas 18% de confiança) e dos banners (26%). Provavelmente andará aqui também alguma irritação à mistura.

Más notícias para os anúncios colocados pelos motores de busca, que só convencem 34% das pessoas.

Curioso é também constatar que a confiança nas opiniões dos outros consumidores varia muito de cultura, atingindo um máximo no Extremo Oriente e um mínimo na Europa, especialmente, mais uma vez, na Dinamarca e na Itália. Decididamente, são estes tipos uns tristes .

A receptividade às opiniões colocadas online varia aproximadamente do mesmo modo: mais credulidade a Oriente, menos na Europa. No entanto, a informação directamente originada pelos consumidores (Consumer Generated Media), tal como os blogues, por exemplo, consegue as notas mais elevadas, especialmente na América do Norte. Todavia, mesmo na Europa 59% das pessoas declaram acreditar nos CGM.

A versão do estudo a que tive acesso não fornece, neste particular, dados específicos relativamente a Portugal.

28.10.07

Marketing directo (ao caixote)

Há já alguns anos que a minha caixa de correio é contemplada, com uma regularidade que não sei precisar, com um magnífico exemplar da revista Pro-Digital. Para quem não sabe, trata-se uma “Revista Profissional de Impressão, Imagem e Comunicação Digital”. Eu também não sabia, e só o sei agora porque está escrito na capa. Raras vezes terei passado daí, e se cheguei a abrir a revista foi só para uma folheada rápida, passados uns dias de a ter ali a atravancar a secretária, e antes de a mandar em definitivo para o arquivo circular.

E, no entanto, não tenho qualquer reparo a essa honesta publicação. Parece bem impressa, tem um grafismo correcto e não duvido que contenha artigos do mais alto interesse para os aficionados da “impressão, imagem e comunicação digital”. Acredito mesmo que custe bom dinheiro a editar, e mais um bocado a enviar a umas centenas de ingratos como eu, que não lhe ligam nenhuma.

Por que então continuo a recebê-la? Boa pergunta. Com certeza acharam o meu nome numa lista qualquer e deduziram que as artes gráficas eram a minha paixão. Nunca me perguntaram se eu autorizava o envio, o que achava da revista, nem sequer se deram ao trabalho de explicar tanta amabilidade. Vasculho o envelope e não há carta, questionário, postal RSF, nada. Só a própria revista: um bocado de dinheiro que alguém gastou e que vai direitinho para o lixo.

E ainda há quem diga que não se faz marketing directo a sério em Portugal por ser muito caro. É exactamente o contrário. Caro é fazer marketing directo assim.

22.10.07

O preço da não-criatividade

Ocorreu-me recentemente que os valores elevadíssimos que certas marcas pagam pelo direito de usarem celebridades na sua publicidade pode ser interpretado como o preço que pagam pela patente ausência de criatividade nas suas actividades de marketing e comunicação.

A concorrência que não há

Se houvesse concorrência a sério nos nossos mercados financeiros, muita gente estaria agora a tirar partido dos evidentes embaraços do Millennium BCP para lhe roubar clientes e negócios.

O candidato mais óbvio, claro está, seria o BES, tirando partido do seu genial slogan "se não tens pais ricos..." Mas também o Montepio poderia aproveitar para tornar evidente a importância de os clientes serem donos do banco, como alega ser o seu caso.

2ª edição



Já saíu a 2ª edição revista e alargada do meu "Comunicação de Marketing".

Inclui um novo capítulo intitulado "Novas tendências da comunicação de marketing". Modéstia à parte, gosto do resultado.

19.10.07

Pôr as Mãos no Marketing

O suplemento de Economia do Público de hoje inclui um artigo sobre o projecto Pôr as Mãos no Marketing, que estou a desenvolver em parceria com o Pedro Celeste, como eu consultor de marketing e comunicação e docente universitário.

Diz-se frequentemente - e é verdade - que uma das principais debilidades das empresas portuguesas, que tanto prejudica a sua competitividade, reside na área do marketing. Todavia, sabe-se muito pouco sobre o que verdadeiramente falha.

Que importância tem de facto o marketing no dia a dia das nossas empresas? O que entendem elas por marketing? Que tarefas são cometidas aos departamentos de marketing quando eles existem? Que conhecimentos possuem as empresas sobre os seus mercados, clientes e concorrentes? Como planeiam a sua acção? Fazem estudos de mercado? Usam esses estudos para desenvolver e lançar novos produtos?

Escutam-se por aí muitas opiniões superficiais sobre estes temas, mas escasseia o conhecimento objectivo sobre o que verdadeiramente se passa.

O nosso propósito, ao lançarmos o projecto Pôr as Mãos no Marketing, consiste precisamente em superar a fase dos palpites e entrar decidamente na da recolha de evidência empírica sustentada no estudo da realidade empresarial. Só isso nos permitirá depois encontrar soluções e recomendar linhas de actuação.

As iniciativas previstas envolverão, antes de mais, empresários e gestores, mas também entidades públicas interessadas no tema e instituições de ensino.

Os principais parceiros são as Universidades Católicas de Lisboa e o Porto, e está constituído um Conselho Consultivo integrando, entre outros, Augusto Mateus, Saarsfield Cabral, Jaimé Andrés, Basílio Horta, Lino Fernandes, João AScensão, Silva Rodrigues e Pedro Costa Campos.

O trabalho de campo deverá iniciar-se no próximo mês de Novembro.

10.10.07

Onslaught



Ao que parece, há gente que adora publicidade ao ponto de dispor-se a passar uma noite em claro a visionar anúncios de televisão. Que tristes...

Por mim, abomino a grande maioria da publicidade exibida nos meios de comunicação, a qual não faz senão espelhar a cega ganância e o absoluto (tão absoluto que chega a parecer inocente) desrespeito pela inteligência e pelos sentimentos do público de quem a faz e aprova, em manifesta contradição com os protestos de dedicação aos clientes, com igual candura proferidos em discursos de circunstância.

Às vezes, até parece que os publicitários parecem apostados em dar razão aos críticos que colocam a comunicação de marketing a par das grandes pragas do nosso tempo.

Essa publicidade que critico é má porque é artificial, manipuladora e sobranceira. Curiosamente, é também pouco eficaz, o que nos faz acreditar que, afinal, Deus existe.

De vez em quando, porém, lá surge uma campanha como esta da Dove que quase nos reconcilia com a profissão. O que ela faz, afinal é bem simples: limita-se a dar voz ao sentimento confuso mas genuíno de muita gente - que, por isso mesmo, a aceita e com ela se identifica. E sabem que mais? Até funciona!

6.10.07

Mundos paralelos


Há na publicidade dois mundos que não se tocam. Quando não conseguem ignorar-se mutuamente, olham-se com desconfiança e às vezes com desprezo.

Aquele em que a maior parte de nós (publicitários das agências) se revêem e que reconhecem como sendo o único é o mundo das grandes marcas. Das que o são ou das que o querem ser. Não é para isso, afinal, que serve a publicidade? Criar e manter grandes marcas. Torná-las famosas. Torná-las amadas.

Essa publicidade, filha (ou irmã) dos meios de comunicação de massa, supõe todo um modelo voltado para os grandes números. Queremos que todo o país comente o anúncio. Queremos que o tagline entre na linguagem corrente. Se isso for conseguido, recitamos nós, publicitários das agências, as vendas acontecerão por si mesmas. Ou melhor, há de haver alguém lá no anunciante que se encarrega delas, mas nós, publicitários, não nos temos que preocupar muito com essa parte.

Existe, no entanto, o tal outro mundo, onde se anunciam marcas que muitas vezes nem se vêem como tal: são simplesmente os produtos e serviços de empresas (que até podem ser grandes, mas não necessariamente) que não querem comunicar com toda a gente, mas apenas com o seu nicho. E que não tendo, ou não querendo ter, o budget das “grandes” marcas, dão à publicidade um papel totalmente diferente. Nesse mundo, é como se cada peça de comunicação fosse apenas mais um elemento da força de vendas: a sua missão não é tornar a marca amada mas fechar negócios. E a sua carreira depende inteiramente dos resultados de vendas muito concretos que conseguir demonstrar.

Não é que os dois universos sejam rigorosamente paralelos: há obviamente anunciantes que integram o segundo modelo, o do marketing directo puro e duro, no seu esforço global de criação de marca – ou que até o tornam o centro desse esforço. Mas, na maior parte das vezes, há entre as duas lógicas um grande fosso, que a Internet veio tornar ainda maior. Ao dar a milhões de micro e pequenas empresas a possibilidade de se tornarem anunciantes, o novo meio criou um mercado gigantesco em que os princípios da publicidade de resposta directa à la Claude Hopkins têm total prevalência sobre a mística das “love brands”.

Veio-me isto à cabeça a propósito desta notícia sobre um estudo da Nielsen que revela que “o consumidor ainda não tem grande confiança na publicidade online”. Como não vi o estudo posso estar redondamente enganado, mas cheira-me que há aí a aplicação de uma lógica que pode fazer sentido para a comunicação de massas a um meio – a Internet – em que a lógica já não é bem a mesma. E cheira-me isso porque, até onde consigo ver, essa é uma confusão muito típica das grandes marcas na sua abordagem da Internet.

É óbvio que há uma aura do meio televisão, por exemplo, que se transmite aos anúncios – quaisquer anúncios – que veicula, e a Internet não tem essa aura. Qualquer empresa de vão de escada pode fazer uma campanha no Google. Ir para a TV é bem diferente, e o consumidor sabe disso. Dito isto, qual será a serventia de avaliar a “credibilidade” da publicidade online, quando estamos a falar de um meio em que se pode medir com absoluto rigor a eficácia real de um anúncio?

O internauta que clica num banner, navega pela página de destino e afinal compra o produto (ou assina a newsletter, ou o que for) certamente achou essa publicidade credível. Se o número de clicks e conversões remunerar o investimento, a publicidade funcionou – independente de ser ou não “credível” e “de confiança” para o resto da humanidade.

A publicidade na net é um outro mundo. Não necessariamente um mundo novo; mas, com certeza, um mundo ainda bastante opaco para as tais "grandes" marcas.

25.9.07

Vende-se Portugal

É o novo livro do Henrique Agostinho. O título é bom, a capa nem parece da Editora Sílabo, e os textos, se forem todos como os que me aconteceu ler no Diário Económico, no mínimo dos mínimos fazem pensar. Pelo que se recomenda ir à Fnac do Colombo no dia 27, às 18h30, para a apresentação pelo autor.

21.9.07

Carta de um leitor

O Armando Alves enviou-me o seguinte email:


"Olá Jayme,

era para comentar no SSIdeias, mas como não vi nenhum post relacionado com a matéria, envio directamente para si.

Quase que adivinho que é apenas um press release, mas irrita-me profundamente o descaramento. Nem de propósito, o exmo director de marketing tem o sobrenome Amador.

A matéria: http://www.meiosepublicidade.pt/2007/09/20/cinemas-do-freeport-promovidos-em-accoes-de-rua/


O meu direito à indignação:

"O YouTube é uma ferramenta exponencial".

Com afirmações como estas, não admira que os directores de marketing se deixem ir atrás das buzzwords e das últimas modas sem se darem ao trabalho de realmente perceberem o meio onde comunicam.

"as pessoas do Freeport estão a enviar para os seus amigos os links do YouTube"

Com um média de 203 views, acho muito difícil que realmente estejam a enviar para os amigos. Só se o envio de press-releases também contar."


Pronto, Armando, já está o assunto comentado no Sangue, Suor e Ideias.

No mundo ideal

No mundo ideal, os alimentos seriam grátis nos supermercados, cobrindo os custos de produção com publicidade a jornais e canais de televisão nas embalagens dos produtos.

O fato à medida perde terreno outra vez

Há uns tempos escrevi aqui sobre o OpenAd, um supermercado de propostas criativas ao qual, estranhamente, ninguém parecia estar a dar muita atenção. Estranhamente, porque parecia uma ideia destinada a fazer mossa às agências. Ora, a julgar por esta notícia do Briefing, parece que já começou.

19.9.07

Grátis

De repente o meu filho de 12 anos – que de uns meses para cá me tem submetido, nas viagens de carro, ao repertório pop adolescente da Cidade e da Mega FM – baixa o volume e pergunta:

- Pai, nós pagamos para ouvir rádio? E se não pagamos, como é que a rádio sobrevive?

Boa. Aproveito para lhe explicar que na rádio as coisas não são como parecem. Nós, ouvintes, não somos os clientes. Somos o produto, que as rádios entregam aos seus verdadeiros clientes em pacotes de mil, em troca do dinheiro da publicidade. Não sei se o meu filho gostou muito de se descobrir mercadoria, mas ficou esclarecido.

No resto do caminho fui a pensar como, sendo isso tão natural para a TV e para a rádio, como é que ainda desperta estranheza para os jornais diários, por exemplo. Parece-me uma questão de tempo até deixar de acontecer. Os diários vão perdendo leitores... diariamente – enquanto os gratuitos se segmentam, ganham corpo, colunistas famosos, e alguns já até trazem notícias que se lêem.

Hesitei na conclusão quando pensei na net. Seria um modelo diferente? Mas hoje, nem de propósito, acabo de ler no Briefing que o New York Times vai deixar de cobrar por todos os seus acessos online. É o mais novo jornal gratuito do mercado.

18.9.07

Caixa de comentários



Comentários à campanha acima colocados na caixa de O Nosso Portfolio:

Bom conceito, boas fotos, boa campanha.

...pena as personagens parecerem mortas, podiam ter mais cor.

Xiu! Tá optimo! Boa Tomás, Joãozinha e Alex!

Bom conceito, boas fotos e mau copy. Sorry. Será que não dava para utilizar o verbo parar só mais uma vez?...

Para Brisa e Via Verde está bom. Pelo menos não é uma campanha básica e obvia. Parabéns, não é extraordinário mas é bom e isso neeste páis e no estádo em que estão as coisas já é uma grande Vitória (com V grande pois então)

Está muito bom. Parabéns a todos os envolvidos.

axo mt boa a ideia. não é genial mas dado o cliente que é está muito porreiro. não é habitual neste tipo de serviços fazerem-se campanhas com conceitos "fun". Por isso bem esgalhado. e Boa fotografa tb

Conceito Clix. Gosto.

Confuso



Este anúncio deixa-me confuso.

Porquê? Porque o headline e a imagem dizem uma coisa e o bodycopy diz outra.

Porque a promessa implícita no headline e na imagem é diferente da promessa proposta no bodycopy.

A primeira é rapidez na passagem das portagens; a segunda, simplificação da gestão das despesas com transportes das empresas.

Assim, de repente, qual vos parece a mais atraente para gestores? Pois é, os criativos foram de outra opinião.

Livros recomendáveis



"Consumer Behaviour: Advances and applications in marketing", de Robert East, professor na Universidade de Kingston, é a meu ver, de longe o melhor manual disponível sobre comportamento de compra. Encontro nele cinco virtudes principais:

a) Apresenta de forma equilibrada as principais correntes teóricas em presença neste domínio;

b) Discute o comportamento efectivo dos consumidores, em vez de se concentrar na dimensão psicológica do processo de compra;

c) Atribui grande importância à base empírica das diversas teorias;

d) Dá a conhecer os resultados mais recentes da investigação à data do lançamento do livro (1997);

e) Apresenta de forma acessível a teoria NBD-Dirichelet de Andrew Enhrenberg (aquela que pode reclamar maior sustentação empírica) e explica com clareza as suas consequências para a prática do marketing.

O livro está esgotado em todo o mundo, mas uma nova versão actualizada e desenvolvida foi anunciada para Fevereiro de 2008. Aguardo com ansiedade.

17.9.07

Amadores, uma ova

Já repararam como a mensagem transmitida pelos media a propósito da selecção nacional de râguebi é uniforme e consistente?

É possível que eles sejam amadores no râguebi, mas são certamente profissionais em Relações Públicas.

Apreciei, particularmente, o modo como o seleccionador Tomaz Morais conseguiu gerir as expectativas do público, de modo que nem mesmo cabazadas iglantónicas conseguiram abalar o orgulho do país na "sua selecção".

E, depois, houve aquela sábia utilização do hino como testemunho indubitável do espírito lutador e patriótico desta equipa por contraposição aos mercenários que povoam a selecção nacional de futebol. Um achado!

Solidariedade

O Diário Económico dá-nos hoje uma extraordinária notícia: os patrocinadores estão solidários com a selecção nacional de futebol.

E desenvolve:
A Sagres, principal patrocinadora da selecção nacional de futebol, diz estar solidária com a equipa apesar do incidente que envolveu o seleccionador nacional (...). TMN e Coca-Cola também vão manter patrocínios. Já a Caixa Geral de Depósitos não fez comentários ao que aconteceu.
Muita confusão em tão poucas linhas. Estar solidário com a selecção, ou mesmo com a equipa, é a mesma coisa que estar solidário com o seleccionador? É o que parece.

E, depois, a solidariedade fundamental das marcas mencionadas não deveria antes ser para com o público, razão primeira e última de ser de um patrocínio?

Muito eu gostaria de saber se, passando-se o caso com uma equipa nacional americana, a Coca-Cola teria a mesma opinião. Variando assim os valores da marca de país para país, fica claro que, por estas bandas, temos uma globalização em part-time.