28.5.09
Uma exigência absurda
O primeiro argumento remete para a exigência de confidencialidade: uma agência não deve estar a par dos segredos estratégicos de duas marcas concorrentes.
A isto eu poderia responder que, curiosamente, esse risco não ocorre com consultoras, apenas com agências, visto que as McKinseys e as Accentures da vida trabalham sem problema para todo e qualquer banco que lhes bata à porta.
A vida, porém, ensinou-me duas outras coisas mais relevantes para rebater a alegação. A primeira é que a grande maioria dos anunciantes não tem nenhuma estratégia de marketing e comunicação digna desse nome enquanto não aparece por lá uma agência que, melhor ou pior, faça esse trabalho. A segunda é que, em rigor, uma estratégia de marketing não é copiável.
O segundo argumento contra a acumulação de contas competitivas na mesma agência é de ordem ética, logo previsivelmente mais trôpego. Diz-nos que uma agência não pode ser séria se defende ao mesmo tempo que a marca A e a marca B são as melhores do mercado.
Façam o favor de começar por notar que, hoje em dia, é muito raro uma campanha sustentar que uma certa marca "é a melhor".
Mas a questão fundamental nem é essa. Os publicitários não são obrigados a acreditar nas alegações dos anunciantes, apenas a divulgá-las o melhor que sabem. Exactamente como os advogados não têm que crer na inocência dos seus constituintes para poderem defendê-los.
Não nos esqueçamos que Demóstenes, antepassado comum de advogados e publicitários, foi no seu tempo muito criticado por receber dinheiro a troco de defender causas alheias.
18.5.09
Remédios para a ignorância
Eis um excelente livro para principiantes em matéria de marketing nas redes sociais. E principiantes é o que todos nós somos de momento, não é verdade?
15.5.09
Vem no Briefing
Segundo o estudo, citado pelo Brand Republic, 86% dos marketeers acredita que as redes sociais não são apenas mais uma moda, enquanto 65,6% assume que não sabe utilizá-las para fins de marketing.
O Facebook, Twitter e Linkedin são as redes sociais mais populares para os marketeers, com 72,8%, 42,4% e 40,2%, respectivamente, a marcar presença nestes sites.
O estudo foi conduzido no Reino Unido e desenvolvido pela McCann-Erickson Bristol."
Se é assim no Reino Unido, por aqui não será melhor. Quem se aventura a explicar aos marketeers como usar as redes sociais para fins de marketing?
11.5.09
Para que serve o Twitter?
@joanalopes: Odeio odear mas odeio.
@danielsiqueira: odeio todos os ingleses do mundo. morram todos.
@roodolfo: Porque eu odeio religião - http://www.youtube.com/watch?v=jZ9V7YqINe4.
@laisortelao: Odeio quando surgem fakes do além me seguindo.
@voodookittie: @tagliati adorei! haiuhiauha ODEIO chá! prefiro sexo huaioahauhuai aloca! =p.
@Grasipiasson: uma de minhas atividades corriqueiras é fazer alongamneto no ponto de ônibus , porisso criei a comunidade " odeio buzi ...
@caixaderetalhos: af af af, aula de espanhol foi uma meeeeeeerda :@ eu odeio a andréia *-*'
@ifyouseeksarah: odeio meus pais.
@brunopola: @shakeshake @caioariede @vihfreitas @guizaum Eu já odeio tudo que cola ;X.
@uedagrill: Odeio quando vou dar uma volta e vejo os downloads parados quando volto pq o #speedy de merda caiu.
@nayanewoolf: @joaopcastro vc gosta da palavra odiar! -- Resposta: Não, odeio.
@igorfaria: Eu ODEIO barba. Eu ODEIO fazer barba. Eu ODEIO o fato da barba sempre crescer, independente de quantas vezes eu a faça...
@CinhoRezende: ahhh q merda..... odeio quando isso acontece!!!!
@pokerrrface: puta que pariu, odeio gente insistente.
@Angie3113: odeio pessoas metidas a esperta!!!
@julianasr: meu, odeio esse nada.
@gilzito: @monallyssa odeio menina putinha em qualquer lugar.
@monallyssa: odeio menina q adora se mostrar putinha no twitter.
@missletz: como eu odeio ouvir uma música boa e não saber o nome :(
@analuisa_: odeio quando os legumes tão quentes DD:
@frordemaracuja: odeio homens. minha vontade nessas horas é de virar a casaca e namorar uma menina. eu teria bem menos dor de cabeça. ...
@tresflaibe: Odeio gente de Lua :@
@Shyznogud: Odeio Favas.
@gflorees: Só eu odeio a NET , mas continuo com ela pq não tenho opção de serviços? #hatred.
@tath: Odeio inclusão digital. Beijos.
@gabimaro: odeio quando a depiladora não atende o telefone.
@Piiiik: Cada dia eu odeio mais o orkut, odeio essa facilidade de achar as pessoas, acontece ontem, hoje você já ad, e sabe de tudo d
@jeferson_salles: Se for gripe suina digam a minha mãe que a amo e que odeio o Bush!
@gihg: hoje começamos a ensaiar pra festa junina D: odeio festas juninas. E é melhor nem falar quem é meu par ...
@eliseac: O show foi muito foda, mas aai, como eu odeio ser baixinha.
@nayanewoolf: odeio ficar triste por besteira -_- mas fazer o q se n consigo tirar isso da minha cabeça?>.<
@coxao: @pedrobarroso rapa sou designer e fotografo auehuae nao webdeveloper heheh odeio fazer site =D
@ahdanilo: PQP, como eu odeio U2!
@aniellemedeiros: Eu uso óculos, mas odeio. Não por ficar com cara de nerd, mas porque odeio aqueles negocinhos apertando meu nariz e ...
@larapuentofinal: essa semana TENHO que focar na faculdade. odeio.
@dannyzappa: odeio quando eu compro um Mentos Fruit e só vem a bala laranja dentro. 12 de 14 eram laranjas. é a que eu menos gosto.
@gilzito: dona edite requentou a comida do final de semana, eu odeio comida requentada. humpf.
@qrolfashion: Odeio ser acordada p/ resolver problemas de informática! Entenda: meu diploma de técnico é enfeite!!!
@tatianatenuto: Como eu odeio quando as pessoas desmarcam compromissos em cima da hora
@gabichanas: Odeio ver gente chorando na redação. Dá um pavor não poder fazer nada...
@sweetest_autumn: odeio shampoo de banana.... o cheiro é terrível!
@Nero00: Fica aqui registrado o quanto eu odeio o vista!
@outralilla: eu odeio a claro. odeio, com todas as minhas forças.
@RicardoPontes: Mais uma vez, só pra deixar claro. ODEIO USUÁRIOS ¬¬ sua extensão deveria ser .fdp
@rlmiranda: EU ODEIO BUROCRACIA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS!!!!!!!!!!!
@satellites_: já falei o quanto odeio relatórios? =(
@rafaverdi: ODEIO FICAR CHORANDO!
@fervaladares: acabei de chegar da rua, odeio a exclusão social, quase fui assaltado
@nathymunaro: odeio as coisas ditas pela metade!
@Synthzoid: Cara, eu odeio a secretaria da FECAP!
@claudia_cfb: Odeio fazer trabalho com quem eu não gosto.
@rosilva_vet: Odeio fazer faxina. Estou toda dolorida hoje... :(
@babbertunes: Odeio reuniões!
@felipelobo: ODEIO feeds que não mostram o texto, só o título. Grrrrr
@A_mendoa: Odeio qdo minha mãe decide que tem que fazer uma limpa no meu guarda roupa. - CADE o cabo USB do meu celular?!
@edinholumertz: Eu odeio políticos,odeio Yeda Crusius,odeio Carlos Crusius,Odeio a OAB, odeio a oposição também,odeio advogados,se eu ...
@ana_flaming: odeio quando família me adiciona no orkut pq eu me sinto na obrigação de aceitar esse bando de prosa ruim!
@samiacalixto: Ain como eu odeio pessoas com cara de cú. Que não sabem sorrir para a vida nem pra nada. UI SAÍ PRA LÁ!
@raons: Odeio essas regras de sociabilidade (: Não sei fingir que é natural porque não é.
@ClauCiapina: Odeio quando as pessoas generalizam tudo.
@Thati_Seixas: Odeio ter reação alérgica.Ainda mais quando é por causa de camarão,todo mundo me proibe de comer depois.Desde sábado a ...
@van_labri: Lembrete: odeio detergentes quando estou com esmalte
@pryackles: Odeio falar as coisas e as pessoas não entenderem!
@heloikeda: @sanseverini Odeio essa reforma ortográfica, e o pessoal que fica me corrigindo toda hora
@lodot: abriu as inscrições pro Brazil's Next Top Model... Odeio ser baixinha...
@mariaclarapetry: maldito trabalho sobre o PI, odeio o PI, odeio matemática, odeio professores, odeio a escola e
As redes sociais e a crise
Também já li uma explicação parecida, mas não idêntica, em relação ao Facebook. Também por causa da crise, cada vez mais pessoas estariam a inscrever-se e a passar ali o seu tempo. Nesse caso, não para arranjar clientes ou emprego, mas por falta do que fazer. Será?
Vá depressa ver a Ler Devagar
Felizmente, sendo muitos, não somos tudo - há outros mundos por ali. Há uns dias, por exemplo, abriu a Ler Devagar. É verdade que o José Pinho, desde sempre motor da livraria/bar/galeria de arte/ centro cultural, é publicitário com uma longa carreira na Wunderman. Mas deixou-se disso, e fez bem. Com a Ler Devagar contribui mais para a felicidade de lisboetas e visitantes.
Quem duvida dê um salto à Ler Devagar do LX Factory. Eu fiquei de queixo caído. Com os livros a rodear os três andares de uma velha rotativa da Mirandela, só o cenário já vale a visita. Mas parece que vai haver muito mais motivos para ir lá com frequência. Confira.
8.5.09
I... de interrogação
7.5.09
Gestão de marca
Já comeu papa Maizena?
Nunca comi, mas sempre tive Maizena em casa e conheço pessoas que comeram. Aliás, só conheço a receita da papa desde que trabalho a marca.
Acredita que a notoriedade da marca vai aumentar depois deste comentário?
Acho que não, pois toda a gente já conhece a farinha. Quanto [sic] muito vai aumentar, vai aumentar o awareness. As pessoas já conhecem, quanto [resic] muito vão lembrar-se mais da marca.
Isto é, a gestora da Maizena nunca provou Maizena e desconhece o significado da expressão "notoriedade". Lindo.
5.5.09
Quando ruirá o muro de Silicon Valley?
"Facebook, YouTube and Twitter are actively choosing to redistribute the wealth. They're taking money from venture capitalists and deploying it so that millions of people far beyond Silicon Valley can get something for nothing. Entertainment, information, and self-marketing opportunities, mostly."Conseguem imaginar que um dia acordam e descobrem que o YouTube, o Facebook, o Twitter e outras maravilhas do nosso quotidiano deixaram de existir?
Pois é, pode muito bem acontecer - se, como alguns prevêem, não conseguirem entretanto encontrar uma substancial fonte de receitas que recompense os colossais investimentos já realizados.
Tudo o que sempre quis saber sobre comunidades de marca mas ninguém soube explicar-lhe
Eis, segundo Fournier e Lee, os 7 mitos mais comuns sobre comunidades de marca:
1. Uma comunidade de marca é uma estratégia de marketing.
2. Uma comunidade de marca existe para servir o negócio.
3. Construa a marca e a comunidade virá atrás.
4. As comunidades de marca devem ser celebrações amorosas para os advogados da marca.
5. Os líderes de opinião constroem comunidades fortes.
6. As redes sociais online são a chave para uma estratégia de comunidade.
7. As comunidades de marca de sucesso são rigidamente geridas e controladas.
2.5.09
Café com fritas
Não fiquei lá muito convencido. Mas como de facto não percebia ainda muita coisa da terra, e o mais próximo do fast food que havia encontrado em Lisboa eram as sandes de pastel de bacalhau da rua das Portas de Santo Antão, dei o benefício da dúvida. Ainda mais porque quem me iluminava com tais pétreas verdades não eram uns leigos quaisquer, mas um director criativo, um dono de agência e dois ou três marketeers de grandes marcas.
Pois dois anos depois o McDonald's abria a sua primeira loja, e a seguir foi o que se viu. A Coca-Cola, entretanto, também tem sido vista em muitas mesas nacionais. Prever o futuro, já se sabe, é difícil, principalmente quando a bola de cristal são as nossas ideias feitas.
Lembrei-me disto a propósito da loja Starbucks que abriu há uns tempos em Alfragide, e na qual entrei pela primeira vez este fim de semana. Também já houve quem me garantisse que o conceito não teria a menor hipótese por estas bandas. Desta vez não por ser contrário às tendências locais, mas por ser redundante. Portugal, explicou-me o teórico em causa, tem uma tradição de bons cafés - no sentido em que o café em si é geralmente de qualidade (é verdade) e o preço (incluindo não só o consumo do produto mas a possibilidade de ocupar uma mesa pelo tempo que se quiser) extremamente razoável, principalmente se comparado com o resto da Europa. Um café aos preços do Starbucks há de ser bom para os americanos. Cá entre nós, não. Não pega.
Mas a verdade é que no centro comercial onde está o Starbucks passei por vários cafés "normais", com a bica a 55 ou 60 cêntimos e a selecção habitual de queques e quejandos, e todos tinham uma afluência também "normal". Já o Starbucks, com os seus cafés a 2 euros e tal e uma oferta nada habitual por aqui, e nada barata, tinha (e, ao que me dizem, tem sempre) uma fila até cá fora.
O consumidor português não é mais conservador do que os outros. Conservador é quem o julga assim, e teima em lhe oferecer sempre mais do mesmo.
24.4.09
Insondável mistério
O que quererá isto dizer? Imploro a quem saiba que deixe a explicação na caixa de comentários.
Em casa
Há uns anos a Benetton pôs um agonizante num cartaz. Um nascimento é sem dúvida melhor - ainda mais se filmado como este, com bastante delicadeza. Mesmo assim, fica-me a sensação de se ter ultrapassado uma fronteira que a mim, particularmente, incomoda. Concretizando mais, acho o filme bonito e tocante até o momento em que aparece o logo do anunciante. Justamente aí, fica tudo estragado. A julgar pelos comentários no Youtube, a maior parte das pessoas não se chateia com isso. Mas, pelo menos para a minha sensibilidade, há territórios em que um logotipo comercial simplesmente não deveria entrar.
22.4.09
Marketing Tótó
Não se precipitem. O facto de a economia portuguesa cair globalmente 3,5% (é a previsão mais recente, creio eu) não significa que todos os mercados vão cair 3,5%. Não é assim em épocas de crescimento, nem vai ser assim agora.
O crescimento do PIB é uma média ponderada dos diversos mercados que integram a economia. Mesmo em tempos de crise, há sempre áreas cuja procura cresce, às vezes a taxas elevadíssimas.
Logo, este é, antes de mais, o momento de ceder aos tótós os mercados em retracção e de concentrar tão rápido quando possível todos os nossos recursos e atenções naqueles mercados ou segmentos com maior potencial de crescimento e rentabilidade.
Ao nível microeconómico é isso mesmo que significa sair da crise. Quando houver mais gente a cuidar do futuro do que do passado, aí a economia globalmente considerada voltará a entrar nos eixos.
21.4.09
Velha escola
Totalmente contra a corrente das agências de publicidade “normais” (ou “tradicionais”, ou “generalistas”, ou, como agora se diz em bom português, "de advertising"), os fãs da publicidade de resposta directa coleccionam “swipe files” – arquivos com anúncios e mailings que aconselham, sem qualquer pudor, pilhar. Em vez da originalidade, estamos no reino da fórmula. Se já funcionou uma vez, em algum mercado, gerando vendas de zilhões, por que não haveria de funcionar para o seu produto? Transponha, copie e enriqueça.
E siga as regras. Aqui não há genial versus medíocre, giro versus quadrado, moderno versus fora de moda: há certo versus errado. E quem decide não é o gosto do freguês, mas a resposta, expressa em números, do mercado. Como demonstra o anúncio acima, 100% velha escola, de Max Sackheim.
No panteão dessa velha escola da publicidade, o deus dos deuses continua a ser Claude Hopkins, seguido por nomes como John Caples (que, acredito, não se reconheceria na BBDO de hoje), Victor Schwab ou Max Sackheim (este, se não me engano, o fundador da agência onde começou Lester Wunderman). David Ogilvy tirava o chapéu a essa turma, mas a verdade é que a sua agência seguiu por um caminho totalmente diferente.
Hoje, essa forma de “salesmanship in print” que durante muitos anos viveu meio clandestina, extremamente próspera mas olhada de lado pelas Madison Avenues do mundo inteiro, voltou a ser valorizada . Culpa da internet, que como máquina de vendas foi beber tudo ao velho marketing directo.
Assim como as agências que antes encarnavam o supra-sumo do novo passaram de repente a ser chamadas “tradicionais”, é bem possível que o que hoje ainda chamamos velha escola volte a ser, pelo menos na internet, o mainstream. Velha escola, se calhar, já é a outra.
Dança da chuva, mau olhado e outras técnicas de marketing

É muito difícil trabalhar-se numa área em que, por cada profissional sério, há dois ou três trampolineiros.
Isso é válido em geral para o marketing e a comunicação. Mas, nos tempos que correm, parece que os curandeiros que exploram a credulidade alheia se dedicam principalmente ao branding.
O estranho - ou talvez não - é que haja clientes para as aldrabices que para aí se vendem, e que alguns deles ocupem posições de grande responsabilidade em empresas de destaque.
Talvez para isso contribua o facto de tantas pessoas com invejáveis conhecimentos técnicos se revelarem destituídas de um mínimo de formação na área das humanidades, o que, significa, entre outras coisas que, não entendendo como funciona a comunicação, estão predispostas a enfiar o primeiro barrete que lhes seja proposto.
De modo que, se ainda têm dúvida, sugiro que vão ver os novos logos do grupo PepsiCo. Melhor ainda, leiam o documento de estratégia que suporta aquela treta e digam-me lá se aquilo não é gozar com o pagode.
Gastaram 8 horas a fazer o trabalho e depois mais 800 a embarrilar o cliente.
PS - Naturalmente, isto não é uma crítica ao branding, mas ao modo como é praticado por alguns. Como deve ter a vida dura quem se esforça por fazer um trabalho digno nesta área...

