6.1.10

Pela boca morre o peixe



Sublime ironia: esta campanha demagógica foi para o ar pouco antes de as tempestades de Dezembro terem posto a nú o pouco caso que a EDP faz dos seus clientes.

No Oeste, houve quem ficasse sem electricidade durante uma semana, porém a principal preocupação da EDP foi explicar que, legalmente, não lhe poderia ser assacada qualquer responsabilidade - leia-se: exigida qualquer indemnização.

Mas não teria sido esta uma excelente oportunidade para a EDP "dar o que tem a mais a quem tem a menos"?

29.12.09

Campanha da década



23.12.09

Escolher cansa



O problema não é de agora, mas tendeu a agravar-se nos últimos anos. Ao que parece, cada vez mais pessoas, confrontadas com o excesso de escolhas, sofrem da fobia da decisão.

A situação tornou-se tão crítica que muitos consumidores preferem ofertas mais simples, que os aliviem da angústia de terem que optar entre variantes tão incompreensíveis como relevantes. Eis o que a este respeito opina Ron Ashkenas:

"Part of the Aldi philosophy is that less is more. Each store is limited to no more than 1,400 different items. So instead of having a dozen choices of frozen juice, you get just one or two. And if a store manager, or the company, wants to add new products, they have to subtract an equivalent number. This not only makes it easier for the consumer to make choices, but it also dramatically lowers costs that are then passed on to the consumer. It's the opposite of the 'super-store'."

Não digo que a solução seja indicada em todas as situações, mas, se calhar, vale a pena tê-la em conta.

21.12.09

Vamos todos rezar para que a Grécia não arribe

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O problema da Grécia é um problema da Europa. Digam todo o mal que quiserem dos mercados, mas eles já perceberam isso. De modo que sucedeu o que tinha suceder: nos últimos dias, o euro perdeu valor face ao dólar.

Haverá alguma exportador que não fique contente com a notícia, tanto mais que ela implica, simultaneamente, uma desvalorização em relação à moeda chinesa?

Judas condenou-se à eterna perdição para assegurar o cumprimento da profecia. A Grécia sacrifica-se em prol de todos os europeus acumulando os défices que os restantes não ousam assumir.

Não se concebe atitude mais nobre. Sem o excessivo consumo deles, o que seria da excessiva produção alemã?

Oremos para que, tão cedo, não consigam voltar ao bom caminho.
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18.12.09

Estratégia numa folha de papel



Sou um maníaco da clareza e da concisão, de modo que me agradou muitissimo esta forma de apresentar uma estratégia que encontrei no Church of Customer. Tentem imitar esta exigente disciplina mental. Eu vou fazê-lo.

11.12.09

A pesquisa não pode tornar boa uma má campanha



Uma notícia publicada no DN de ontem informa-nos, citando um estudo da GfK encomendado pela Briefing, que a recente campanha do Pingo Doce é a preferida de 70% dos consumidores.

A afirmação não exacta, mas, mesmo que o fosse, não teria qualquer relevância para avaliar o sucesso da campanha.

Em primeiro lugar, os títulos e leads publicados são enganadores. Escreve o DN: "Pingo Doce com notoriedade no máximo apesar das críticas" e acrescenta: "Um dos anúncios mais irritantes do ano, para muitos críticos, é de acordo com estudo da GfK, o preferido de 70% dos consumidores". Também a Briefing titula: "70% preferem o actual anúncio do Pingo Doce".

Primeiro erro: não houve qualquer tentativa de medir a notoriedade da marca Pingo Doce, mas tão só da mencionada campanha - como se sabe, duas coisas muito diferentes. Segundo: dizer-se que o "anúncio" é o "preferido de 70% dos consumidores" faz crer que ele é preferido em relação a outras campanhas em curso de outras marcas, o que também é falso.

Quando muito, poderia dizer-se, como se depreende do corpo da notícia, que 70% dos consumidores preferem a presente campanha do Pingo Doce às anteriores campanhas da mesma marca. Porém, nem isso é verdade.

Vejamos. Foram inquiridas 1.287 pessoas. Dessas, 625 declararam recordar-se da última campanha, mas apenas 431 da anterior. No final, apenas 302 afirmaram preferir esta campanha à anterior, o que corresponde a 23,5% (não a 70%) dos inquiridos.

Logo, mesmo aceitando que a recordação registada das duas campanhas foi correctamente comprovada (conclusão que não é possível confirmar ou negar com a informação de que disponho), e que todos os inquiridos se qualificam como integrando o público relevante do Pingo Doce, não faz qualquer sentido alardear-se que a última campanha da marca é preferida por 70% dos consumidores.

Acresce, finalmente, que décadas de pesquisa confirmam sem margem para dúvidas que a recordação de campanhas não se correlaciona com o seu impacto sobre as vendas. Uma campanha pode ser lembrada apenas por ser estúpida - como é o caso desta.

Os bêbados encostam-se aos postes de iluminação para evitarem cair, não para verem melhor. Algumas pessoas socorrem-se da pesquisa com o mesmo intuito.

2.12.09

Isto é um bocadinho melhor, mas não muito

30.11.09

Hopelesshagen



Hopenhagen é um mero jogo de palavras incompreensível para quem não sabe inglês e de todo intraduzível. Quem fez esta droga acha, porém, que essa é a melhor maneira de mobilizar o mundo em torno do combate ao aquecimento global.

Eu tenderia a pensar que a cimeira de Copenhagen seria uma boa ocasião para esclarecer-nos sobre o que está em causa, mas quem hoje faz campanhas é demasiado ignorante ou preguiçoso para sequer tentá-lo.

Uma boa parte dos publicitários faz tudo o que está ao seu alcance para condenar a publicidade à irrelevância.

Que pensaria disto David Ogilvy, fundador da casa que concebeu a campanha?

26.11.09

Grandes momentos da história da publicidade

LegoMatrix, dá que pensar

23.11.09

Suponho que isto nunca ganharia o Prémio de Inovação de Marketing da Sonae

Inovação de marketing à moda da Sonae

Vão ver os prémios à inovação da Sonae na área do marketing, mas primeiro prometam-me que não riem (nem choram).

17.11.09

Lição de liderança



Lawrence Foster, maestro titular da Orquestra Gulbenkian, aproveitou na 5ª feira última o intervalo entre duas peças para anunciar que aquele seria o último concerto do contra-baixista Alejandro Oliva antes de se reformar.

As palavras que na altura lhe dirigiu não foram de mera circunstância. O elogio que Foster endereçou a Oliva destacou em breves mas precisas palavras a personalidade daquela pessoa, acerca de quem, até àquele instante, quase tudo ignorávamos.

Foi evidente o que significou para Oliva a homenagem que o seu maestro e o público lhe prestaram num dia para ele decerto carregado de emoções contraditórias.

Mas não esqueçamos a mensagem implícita endereçada a todos os outros músicos da Orquestra: "Este maestro aprecia-vos como indivíduos e agradece-vos do fundo do coração a insubstituível contribuição que cada um dá para o sucesso do grupo e a felicidade do público".

Chama-se a isto capacidade de liderança.

16.11.09

Altamente recomendável

Google Wave explicado ao povo



Mais uma daquelas coisas tão inovadoras que só experimentando se consegue entender o que é e para que serve. Do que não há dúvida é que, dia após dia, se multiplicam e aperfeiçoam as ferramentas orientadas para a promoção da cooperação no trabalho e no lazer.

14.11.09

Biscates publicitários



A Delta Q está em concorrência com a Nespresso? Caso estivesse, seria a paródia da publicidade do seu presumível concorrente a melhor forma de se afirmar? Não será essa antes uma forma de recordá-lo cada vez que o spot da Delta Q aparece?

O spot da Nespresso dirige-se às mulheres, provavelmente porque a marca considera serem elas as decisoras de compra relevantes. Por que prefere a Delta Q falar para os homens?

A publicidade da Nespresso explora a sedução que George Clooney exerce sobre o público feminino. Que poder de sedução lhe contrapõe a Delta Q?

Acredita a Delta Q que demarcar-se da Nespresso afirmando o seu carácter provinciano por contraste com o cosmopolitismo e elitismo da Nespresso aumenta o seu poder de atracção?

À publicidade da Nespresso opõe a Delta Q uma pilhéria irrelevante e inconsequente. Mas é verdade que isso não importa, porque, na verdade, a Delta Q não concorre nem quer concorrer com a Nespresso.

Esta é uma campanha criada com total desconhecimento dos princípios da comunicação de marketing. É uma campanha pensada, criada e produzida por amadores com jeito para contar anedotas.

Roem-se as agências por verem certos anunciantes confiarem a sua publicidade a biscateiros. Mas não é facto que este tipo de indigência não se afasta muito do que cada vez mais agências fazem?

10.11.09

6.11.09

Auto-segmentação



Por quê dispender tempo e dinheiro com complexos exercícios de segmentação se os clientes eles mesmos podem fazê-la melhor e mais barato?

Eis uma excelente ideia exposta por Nick Wreden na Strategy + Business.

Com a emergência da Web 2.0, os cidadãos auto-organizam-se em tornos dos interesses e projectos mais variados. As empresas que se predisponham a escutá-los dispõem de um riquíssimo manancial de informação que reduz os custos da análise de mercado e aumenta o seu rigor e utilidade.

Como conclui Nick Wreden no artigo linkado: "It all starts with finding communities united by a passion or an interest, and talking with them, not at them".

2.11.09