10.3.10

Papel ou electrões?

Bancos, telecomunicações, energia eléctrica, toda a gente me telefona a propor-me uma extraordinária benesse: substituição de extractos ou facturas em papel por documentos electrónicos.

É fantástico: prático, rápido, fácil de arquivar e, para cúmulo, protege as florestas e o ambiente.

Talvez, mas irrita-me que me tomem por parvo. Todos sabemos que o interesse deles não é nem o nosso bem-estar nem o do ambiente, mas a redução dos custos de produção e distribuição de documentos - uma pequena fortuna, como pode constatar qualquer pessoa que se dê ao trabalho de fazer as contas.

Justo seria, portanto, que repartissemos a poupança. Digamos, metade para eles, metade para mim.

Paguem-me para eu adoptar os extractos digitais, e fecharemos negócio. De outro modo, vão ter que continuar a aumentar os gastos em telemarketing, sem benefícios nem para eles, nem para mim, nem para o pobre ambiente.

5.3.10

Gosto disto

3.3.10

Uma lamúria


Há já uns bons aninhos, tive como cliente o director de uma empresa estrangeira que operava no mercado imobiliário e que um belo dia precisou de umas bandeiras com o seu logotipo para sinalizar o lançamento do seu primeiro projecto em Portugal. Pediu a indicação de um fornecedor e recomendaram-lhe uma loja que havia na Baixa, Casa das Bandeiras ou algo assim, que na altura era a referência para esse tipo de trabalho. O meu cliente ligou-lhes e disseram que, sim senhor, faziam as bandeiras. Só que levava um mês.

Por sorte, ele tinha outra solução. Ligou a um colega que vinha de São Paulo no dia seguinte. Durante esse mesmo dia as bandeiras foram encomendadas e produzidas. Dois dias depois desembarcavam na Portela, na bagagem do tal colega brasileiro.

Imagino que hoje já não será tão moroso produzir bandeiras com logotipos em Portugal. Mas lembrei-me disso ao reparar que quase todos os dias tropeço noutros exemplos de um país em que tudo tem uma tendência a levar tempo demais. É o sujeito que desde Outubro está apalavrado para ir lá a casa consertar uns armários e que até hoje – porque o funcionário não veio, porque choveu, porque marcou uma hora e chegou três horas depois, porque se esqueceu – ainda não veio resolver o problema. É a operadora de telefones que me vendeu um serviço 3 em 1 em Novembro e que desde então mantém o meu telefone mudo e os meus telefonemas sem resposta. É o cliente que ia mandar a nota de encomenda, mas não mandou – e que por isso ia pagar, mas ainda não pagou. É o fornecedor que só entrega o trabalho à custa de ser lembrado, e cobrado, e pressionado, e ameaçado. É a reunião que era durar vinte minutos mas que, como ninguém se preparou, leva três horas e chegando ao fim nada ficou decidido. E por aí vai.

Quando vejo as desoladoras estatísticas sobre a produtividade portuguesa, e os diagnósticos de doutos economistas sobre o assunto, gostaria de acreditar que é um problema que pode ser resolvido mas a minha fé vacila. As soluções, não digo fáceis, mas possíveis de implementar, e que aliás toda a gente já sabe quais são – melhor organização, melhores processos, mais formação, mais concorrência e logo custos mais baixos, melhor justiça, etc. – até poderão funcionar, mas só até ao ponto em que encontrarem essa barreira, omnipresente e ao mesmo tempo tão fugidia, dos hábitos, da “forma de estar”, daquilo que com uma imprecisão muito conveniente também podemos chamar de “cultura”. 

Barreira, aliás, nem é o termo. É mais um pó, uma espécie de areia, que grãozinho a grãozinho vai penetrando nas engrenagens do país e não o pára, mas emperra tudo.

Terá conserto?

2.3.10

É uma boa iniciativa, sim senhor

Às vezes mandam-nos pedidos de divulgação através deste blog que não fazem qualquer sentido. Mas o email que recebi hoje parece ser diferente.Confiram vocês:

"Boa tarde,

O EuSouCliente.com é uma nova plataforma online de relação entre consumidores e marcas.

Julgamos que pode ser uma ferramenta bastante útil para dar a conhecer aos leitores e seguidores do www.sanguesuoreideias.blogspot.com.

Reclamar, Sugerir e ser Fã. A internet em geral, e as redes sociais em particular, são cada vez mais usadas pelos consumidores como alternativa aos canais de reclamação tradiconais. É neste contexto que surge a plataforma EuSouCliente: Dando voz a todos os consumidores mas também espaço de resposta às marcas.

Ao fim de quatro semanas são já várias as interacções realizadas nesta nova plataforma, com destaque para a ZON que foi a empresa mais activa na utilização desse espaço dando seguimento a todas as reclamações e sugestões apresentadas.

Conheça o site (www.eusoucliente.com) e Divulgue a nova plataforma".

Falando por mim, bem preciso de um canal para pelo menos descarregar o mau humor que às vezes me causam algumas grandes empresas de serviço e os seus call centers, particularmente na área das telecomunicações, e particularissimamente, lá está, a ZON. Podem crer que vou usar o site.

1.3.10

14.2.10

A luta continua

"Greve virtual" das agências de publicidade na Bélgica: por uma boa causa, com uma ideia fantástica e uma execução excelente. Vale a pena ver: está lá tudo. Quem sabe não inspira o nosso mercado a fazer qualquer coisa?

1.2.10

"Fear the Boom and Bust" a Hayek vs. Keynes Rap Anthem

Cortesia do blog de Ken McCarthy.

HP Office Orchestra

28.1.10

Novidades, novidades



Se bem entendi, o iPad é apenas uma réplica melhorada do Tablet PC (ver acima) que a Microsoft lançou há meia dúzia de anos.

Por que falhou, na altura, o Tablet PC?

Tal como muitas outras pessoas, tenho um desktop em casa e outro no escritório, um portátil e um smartphone. Muita tralha, portanto.

Isto coloca diversos problemas. Um deles - o constante e confuso intercâmbio de ficheiros de uns computadores para outros - está em vias de resolução definitiva com as facilidades oferecidas por coisas como o googledocs ou zoho.

O outro problema - a portabilidade - ainda não. Toda a gente adoraria trocar os quatro ou cinco computadores que usa por um só, mas nem o Tablet PC nem o iPad são a solução.

Pelo contrário, a ideia da Apple parece ser obrigar-nos a acrescentar mais um dispositivo à já numerosa panóplia de equipamentos informáticos que hoje somos forçados a usar.

É claro que o iPad traz consigo algumas novidades genuinas - basicamente o écrã táctil e a facilidade de utilização que o aproximam do iPhone. Serão suficientes para, em combinação com o charme do Steve Jobs, transformarem o produto num sucesso?

26.1.10

Saiu na Meios e Publicidade

Media

"89% dos jornalistas utilizam blogues como fontes de informação

26 de Janeiro de 2010, por Ana Marcela
89% dos jornalistas utilizam blogues como fontes de informação e 65% utilizam redes sociais como o Facebook e Linkedin nas suas pesquisas de trabalho. Estas são algumas das conclusões do estudo realizado pela Cision e pela Universidade George Washington, ontem divulgado. O papel dos profissionais de relações públicas também foi objecto de análise neste estudo, tendo o mesmo concluído que 44% dos editores e repórteres entrevistados disseram depender de profissionais de RP para “entrevistas e acesso às fontes e peritos”, para ” respostas às perguntas e informações específicas” (23%) e para “perspectivas e informação no seu contexto e informações práticas” (17%).O estudo foi realizado junto a um universo de 9.100 editores e jornalistas norte-americanos."

23.1.10

Um bom anúncio conta uma boa história

21.1.10

Quem diria?

Todos os dias recebo por email na Ology umas quantas mensagens comerciais, mas é cada vez mais raro encontrá-las na caixa do correio.

Com frequência escuto anunciantes argumentarem que, sendo muito mais barata a comunicação directa digital, não fez sentido gastar-se dinheiro em papel e portes postais.

Adivinhem então quem é que me fez chegar esta semana uma mensagem em papel, envelopada em papel e distribuída pelos obsoletos correios de sacola às costas?

Pois é: nada menos do que o Google em pessoa, convidando-me a retomar o meu investimento regular no AdWords e aliciando-me com uma oferta de espaço grátis se a utilizar dentro de certo limite temporal.

Por que farão eles isso? Acaso não estarão informados de que existe uma coisa chamada internet, por meio da qual é possível endereçar publicidade baratérrima a quem quer que possua um endereço de email?

Eu apostaria antes noutra explicação. Eles sabem que, sendo embora incomparavelmente mais barato, o email tem todavia as desvantagens da banalização e da irrelevância, do que resultam taxas de resposta centenas ou milhares de vezes mais baixas.

Quanto mais se vulgariza o email e se entopem as caixas de correio electrónicas, mais valioso se torna o canal de direct mail tradicional.

O papel tem um peso simbólico incomparável. Impõe a sua presença e exige atenção.

Quem recebe uma comunicação em papel nos dias que correm, sabe que o emissor investe a sério na criação ou consolidação de um relacionamento com o destinatário. Por isso, em vez de disparar milhões de emails a ver se pega, não hesita em gastar dinheiro de verdade para atingir os seus propósitos.

Deixemos o vápido email aos amadores. Os direct marketers que se prezam não desistirão tão cedo de recorrer aos suportes físicos para chegarem à fala com os seus clientes.

Será isto tão difícil de entender?

7.1.10

6.1.10

Pela boca morre o peixe



Sublime ironia: esta campanha demagógica foi para o ar pouco antes de as tempestades de Dezembro terem posto a nú o pouco caso que a EDP faz dos seus clientes.

No Oeste, houve quem ficasse sem electricidade durante uma semana, porém a principal preocupação da EDP foi explicar que, legalmente, não lhe poderia ser assacada qualquer responsabilidade - leia-se: exigida qualquer indemnização.

Mas não teria sido esta uma excelente oportunidade para a EDP "dar o que tem a mais a quem tem a menos"?

29.12.09

Campanha da década



23.12.09

Escolher cansa



O problema não é de agora, mas tendeu a agravar-se nos últimos anos. Ao que parece, cada vez mais pessoas, confrontadas com o excesso de escolhas, sofrem da fobia da decisão.

A situação tornou-se tão crítica que muitos consumidores preferem ofertas mais simples, que os aliviem da angústia de terem que optar entre variantes tão incompreensíveis como relevantes. Eis o que a este respeito opina Ron Ashkenas:

"Part of the Aldi philosophy is that less is more. Each store is limited to no more than 1,400 different items. So instead of having a dozen choices of frozen juice, you get just one or two. And if a store manager, or the company, wants to add new products, they have to subtract an equivalent number. This not only makes it easier for the consumer to make choices, but it also dramatically lowers costs that are then passed on to the consumer. It's the opposite of the 'super-store'."

Não digo que a solução seja indicada em todas as situações, mas, se calhar, vale a pena tê-la em conta.

21.12.09

Vamos todos rezar para que a Grécia não arribe

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O problema da Grécia é um problema da Europa. Digam todo o mal que quiserem dos mercados, mas eles já perceberam isso. De modo que sucedeu o que tinha suceder: nos últimos dias, o euro perdeu valor face ao dólar.

Haverá alguma exportador que não fique contente com a notícia, tanto mais que ela implica, simultaneamente, uma desvalorização em relação à moeda chinesa?

Judas condenou-se à eterna perdição para assegurar o cumprimento da profecia. A Grécia sacrifica-se em prol de todos os europeus acumulando os défices que os restantes não ousam assumir.

Não se concebe atitude mais nobre. Sem o excessivo consumo deles, o que seria da excessiva produção alemã?

Oremos para que, tão cedo, não consigam voltar ao bom caminho.
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18.12.09

Estratégia numa folha de papel



Sou um maníaco da clareza e da concisão, de modo que me agradou muitissimo esta forma de apresentar uma estratégia que encontrei no Church of Customer. Tentem imitar esta exigente disciplina mental. Eu vou fazê-lo.

11.12.09

A pesquisa não pode tornar boa uma má campanha



Uma notícia publicada no DN de ontem informa-nos, citando um estudo da GfK encomendado pela Briefing, que a recente campanha do Pingo Doce é a preferida de 70% dos consumidores.

A afirmação não exacta, mas, mesmo que o fosse, não teria qualquer relevância para avaliar o sucesso da campanha.

Em primeiro lugar, os títulos e leads publicados são enganadores. Escreve o DN: "Pingo Doce com notoriedade no máximo apesar das críticas" e acrescenta: "Um dos anúncios mais irritantes do ano, para muitos críticos, é de acordo com estudo da GfK, o preferido de 70% dos consumidores". Também a Briefing titula: "70% preferem o actual anúncio do Pingo Doce".

Primeiro erro: não houve qualquer tentativa de medir a notoriedade da marca Pingo Doce, mas tão só da mencionada campanha - como se sabe, duas coisas muito diferentes. Segundo: dizer-se que o "anúncio" é o "preferido de 70% dos consumidores" faz crer que ele é preferido em relação a outras campanhas em curso de outras marcas, o que também é falso.

Quando muito, poderia dizer-se, como se depreende do corpo da notícia, que 70% dos consumidores preferem a presente campanha do Pingo Doce às anteriores campanhas da mesma marca. Porém, nem isso é verdade.

Vejamos. Foram inquiridas 1.287 pessoas. Dessas, 625 declararam recordar-se da última campanha, mas apenas 431 da anterior. No final, apenas 302 afirmaram preferir esta campanha à anterior, o que corresponde a 23,5% (não a 70%) dos inquiridos.

Logo, mesmo aceitando que a recordação registada das duas campanhas foi correctamente comprovada (conclusão que não é possível confirmar ou negar com a informação de que disponho), e que todos os inquiridos se qualificam como integrando o público relevante do Pingo Doce, não faz qualquer sentido alardear-se que a última campanha da marca é preferida por 70% dos consumidores.

Acresce, finalmente, que décadas de pesquisa confirmam sem margem para dúvidas que a recordação de campanhas não se correlaciona com o seu impacto sobre as vendas. Uma campanha pode ser lembrada apenas por ser estúpida - como é o caso desta.

Os bêbados encostam-se aos postes de iluminação para evitarem cair, não para verem melhor. Algumas pessoas socorrem-se da pesquisa com o mesmo intuito.

2.12.09

Isto é um bocadinho melhor, mas não muito