6.4.10

Quem é o Sá Pessoa?



Apesar das muitas e variadas dúvidas expressas sobre a eficácia da utilização das celebridades na publicidade, ela tem progredido continuamente ao longo das últimas décadas.

Seja qual for a nossa posição nesse debate, numa coisa até agora estavamos todos de acordo: uma celebridade é uma celebridade.

Mas eu pergunto à minha volta quem é o Sá Pessoa e ainda não encontrei quem saiba.

Ou por outra: não sabiam, mas agora já sabem: é um tótó com bons amigos na Knorr portuguesa.

1.4.10

Publicidade política no seu melhor

25.3.10

The Last Advertising Agency on Earth - será?

23.3.10

Gosto do novo modelo da ADMAP

21.3.10

Ainda sobre aprender e ensinar

Ocorreu-me agora: este post que escrevi há tempos é um útil complemento do anterior.

18.3.10

Aprender e ensinar

Pedro Bidarra ("Cursos inferiores", i de 16.3.10) mistura duas questões diferentes:

1. Se deve haver cursos superiores de Marketing e Publicidade.

2. Se é possível ensinar-se Marketing e Publicidade.

Não quero tratar agora da primeira, embora possa adiantar que a minha opinião coincide em parte com a dele.

Começarei por fazer notar que mesmo quem duvida que se possa ensinar essas matérias tende a crerque elas possam ser aprendidas. Se fossemos franceses, talvez o debate terminasse aqui, porque, na língua deles, a palavra "apprendre" significa tanto aprender como ensinar.

Aparentemente, o Pedro acredita que a experiência de vida é a melhor maneira de aprender. Esta tese não é nova. O Dr. Antunes Guimarães, Ministro da Educação de um governo de Salazar, por exemplo, opinava que saber ler e escrever não seria assim tão importante, visto que, apesar de analfabeto, Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia.

Mas é claro que o Pedro Bidarra não partilha essa opinião algo extrema. Ele acredita que se pode e deve ensinar coisas como Economia, Matemática ou mesmo Gestão. Mas não - jamais! - Marketing e Publicidade.

Também aqui eu concordo em parte. O Marketing não é uma ciência, é uma arte ou um saber prático que se socorre de alguns conhecimentos de economia, sociologia, antropologia e estatística (entre outros) e de uma larga variedade de técnicas.

Como se adquirem então os conhecimentos necessários para trabalhar em Marketing ou em Publicidade? Uma hipótese - aquela que Pedro Bidarra parece preferir - consistiria na aprendizagem on the job. Mas como? Meramente frequentando departamentos de marketing e agências e convivendo com os profissionais do ofício?

Atrevo-me a afirmar que deixar a cada um o encargo de aprender através da sua experiência individual é uma forma muito ineficiente de educação. A coisa falha com demasiada frequência, mesmo quando existe uma vontade deliberada de orientar o aprendiz. Primeiro, porque quem sabe fazer não sabe forçosamente ensinar. Segundo, porque num ambiente de pressão laboral faltam tempo e pachorra para dar aos novatos a atenção que eles requerem.

Foi por isso que, historicamente, a educação formal substituíu em muitas profissões (é certo que não só com vantagens) o mero treino sob a direcção de um mestre.

O Pedro Bidarra aceita que se pode ensinar Gestão - uma certeza que a mim me espanta - mas desconfia da utilidade de cursos de Marketing, quando o currículo de um bom curso de Marketing deve coincidir pelo menos em 50% com o de um curso de Gestão.

Ora, há hoje uma desconfiança generalizada em relação ao modo como actualmente se ensina Gestão, dado que não só não se trata de uma ciência, como não faz qualquer sentido condicionar o acesso à profissão à posse de uma licenciatura na área. Ninguém é gestor pelo facto de tirar um curso de Gestão exactamente do mesmo modo que ninguém é publicitário pelo facto de tirar um curso de Publicidade.

Que género de coisas se pode então ensinar num curso de Publicidade? Tal como noutras profissões criativas (design, arquitectura, música, cinema) a actividade publicitária comporta uma dimensão técnica e outra de inspiração. A primeira pode-se ensinar, e a segunda pode-se estimular e treinar.

É isso que se faz em todos os países onde a publicidade atingiu um elevado nível (EUA, Inglaterra ou Brasil, por exemplo), mas não se faz cá. Entre nós confia-se demasiado no acaso do talento individual, o que ajuda a explicar o muito baixo nível médio tanto da publicidade como das restantes actividades criativas.

Eu não sei se as escolas portuguesas onde os jovens são introduzidos aos rudimentos da publicidade funcionam bem ou mal, porque ignoro os seus métodos e programas. Sei, porém, que ninguém pode ensinar aquilo que não sabe, e que em Portugal se valoriza muito o saber livresco e pouco os saberes adquiridos no exercício de uma profissão. Sei também que o ensino continua em geral a basear-se muito em palestras na sala de aula e pouco em trabalho aplicado.

Se o ensino de Marketing e Publicidade funciona mal - e eu acredito que assim seja - deveriamos empenhar-nos em fazê-lo funcionar melhor, não em argumentar absurdamente que essas coisas não se ensinam.

10.3.10

Papel ou electrões?

Bancos, telecomunicações, energia eléctrica, toda a gente me telefona a propor-me uma extraordinária benesse: substituição de extractos ou facturas em papel por documentos electrónicos.

É fantástico: prático, rápido, fácil de arquivar e, para cúmulo, protege as florestas e o ambiente.

Talvez, mas irrita-me que me tomem por parvo. Todos sabemos que o interesse deles não é nem o nosso bem-estar nem o do ambiente, mas a redução dos custos de produção e distribuição de documentos - uma pequena fortuna, como pode constatar qualquer pessoa que se dê ao trabalho de fazer as contas.

Justo seria, portanto, que repartissemos a poupança. Digamos, metade para eles, metade para mim.

Paguem-me para eu adoptar os extractos digitais, e fecharemos negócio. De outro modo, vão ter que continuar a aumentar os gastos em telemarketing, sem benefícios nem para eles, nem para mim, nem para o pobre ambiente.

5.3.10

Gosto disto

3.3.10

Uma lamúria


Há já uns bons aninhos, tive como cliente o director de uma empresa estrangeira que operava no mercado imobiliário e que um belo dia precisou de umas bandeiras com o seu logotipo para sinalizar o lançamento do seu primeiro projecto em Portugal. Pediu a indicação de um fornecedor e recomendaram-lhe uma loja que havia na Baixa, Casa das Bandeiras ou algo assim, que na altura era a referência para esse tipo de trabalho. O meu cliente ligou-lhes e disseram que, sim senhor, faziam as bandeiras. Só que levava um mês.

Por sorte, ele tinha outra solução. Ligou a um colega que vinha de São Paulo no dia seguinte. Durante esse mesmo dia as bandeiras foram encomendadas e produzidas. Dois dias depois desembarcavam na Portela, na bagagem do tal colega brasileiro.

Imagino que hoje já não será tão moroso produzir bandeiras com logotipos em Portugal. Mas lembrei-me disso ao reparar que quase todos os dias tropeço noutros exemplos de um país em que tudo tem uma tendência a levar tempo demais. É o sujeito que desde Outubro está apalavrado para ir lá a casa consertar uns armários e que até hoje – porque o funcionário não veio, porque choveu, porque marcou uma hora e chegou três horas depois, porque se esqueceu – ainda não veio resolver o problema. É a operadora de telefones que me vendeu um serviço 3 em 1 em Novembro e que desde então mantém o meu telefone mudo e os meus telefonemas sem resposta. É o cliente que ia mandar a nota de encomenda, mas não mandou – e que por isso ia pagar, mas ainda não pagou. É o fornecedor que só entrega o trabalho à custa de ser lembrado, e cobrado, e pressionado, e ameaçado. É a reunião que era durar vinte minutos mas que, como ninguém se preparou, leva três horas e chegando ao fim nada ficou decidido. E por aí vai.

Quando vejo as desoladoras estatísticas sobre a produtividade portuguesa, e os diagnósticos de doutos economistas sobre o assunto, gostaria de acreditar que é um problema que pode ser resolvido mas a minha fé vacila. As soluções, não digo fáceis, mas possíveis de implementar, e que aliás toda a gente já sabe quais são – melhor organização, melhores processos, mais formação, mais concorrência e logo custos mais baixos, melhor justiça, etc. – até poderão funcionar, mas só até ao ponto em que encontrarem essa barreira, omnipresente e ao mesmo tempo tão fugidia, dos hábitos, da “forma de estar”, daquilo que com uma imprecisão muito conveniente também podemos chamar de “cultura”. 

Barreira, aliás, nem é o termo. É mais um pó, uma espécie de areia, que grãozinho a grãozinho vai penetrando nas engrenagens do país e não o pára, mas emperra tudo.

Terá conserto?

2.3.10

É uma boa iniciativa, sim senhor

Às vezes mandam-nos pedidos de divulgação através deste blog que não fazem qualquer sentido. Mas o email que recebi hoje parece ser diferente.Confiram vocês:

"Boa tarde,

O EuSouCliente.com é uma nova plataforma online de relação entre consumidores e marcas.

Julgamos que pode ser uma ferramenta bastante útil para dar a conhecer aos leitores e seguidores do www.sanguesuoreideias.blogspot.com.

Reclamar, Sugerir e ser Fã. A internet em geral, e as redes sociais em particular, são cada vez mais usadas pelos consumidores como alternativa aos canais de reclamação tradiconais. É neste contexto que surge a plataforma EuSouCliente: Dando voz a todos os consumidores mas também espaço de resposta às marcas.

Ao fim de quatro semanas são já várias as interacções realizadas nesta nova plataforma, com destaque para a ZON que foi a empresa mais activa na utilização desse espaço dando seguimento a todas as reclamações e sugestões apresentadas.

Conheça o site (www.eusoucliente.com) e Divulgue a nova plataforma".

Falando por mim, bem preciso de um canal para pelo menos descarregar o mau humor que às vezes me causam algumas grandes empresas de serviço e os seus call centers, particularmente na área das telecomunicações, e particularissimamente, lá está, a ZON. Podem crer que vou usar o site.

1.3.10

14.2.10

A luta continua

"Greve virtual" das agências de publicidade na Bélgica: por uma boa causa, com uma ideia fantástica e uma execução excelente. Vale a pena ver: está lá tudo. Quem sabe não inspira o nosso mercado a fazer qualquer coisa?

1.2.10

"Fear the Boom and Bust" a Hayek vs. Keynes Rap Anthem

Cortesia do blog de Ken McCarthy.

HP Office Orchestra

28.1.10

Novidades, novidades



Se bem entendi, o iPad é apenas uma réplica melhorada do Tablet PC (ver acima) que a Microsoft lançou há meia dúzia de anos.

Por que falhou, na altura, o Tablet PC?

Tal como muitas outras pessoas, tenho um desktop em casa e outro no escritório, um portátil e um smartphone. Muita tralha, portanto.

Isto coloca diversos problemas. Um deles - o constante e confuso intercâmbio de ficheiros de uns computadores para outros - está em vias de resolução definitiva com as facilidades oferecidas por coisas como o googledocs ou zoho.

O outro problema - a portabilidade - ainda não. Toda a gente adoraria trocar os quatro ou cinco computadores que usa por um só, mas nem o Tablet PC nem o iPad são a solução.

Pelo contrário, a ideia da Apple parece ser obrigar-nos a acrescentar mais um dispositivo à já numerosa panóplia de equipamentos informáticos que hoje somos forçados a usar.

É claro que o iPad traz consigo algumas novidades genuinas - basicamente o écrã táctil e a facilidade de utilização que o aproximam do iPhone. Serão suficientes para, em combinação com o charme do Steve Jobs, transformarem o produto num sucesso?

26.1.10

Saiu na Meios e Publicidade

Media

"89% dos jornalistas utilizam blogues como fontes de informação

26 de Janeiro de 2010, por Ana Marcela
89% dos jornalistas utilizam blogues como fontes de informação e 65% utilizam redes sociais como o Facebook e Linkedin nas suas pesquisas de trabalho. Estas são algumas das conclusões do estudo realizado pela Cision e pela Universidade George Washington, ontem divulgado. O papel dos profissionais de relações públicas também foi objecto de análise neste estudo, tendo o mesmo concluído que 44% dos editores e repórteres entrevistados disseram depender de profissionais de RP para “entrevistas e acesso às fontes e peritos”, para ” respostas às perguntas e informações específicas” (23%) e para “perspectivas e informação no seu contexto e informações práticas” (17%).O estudo foi realizado junto a um universo de 9.100 editores e jornalistas norte-americanos."

23.1.10

Um bom anúncio conta uma boa história

21.1.10

Quem diria?

Todos os dias recebo por email na Ology umas quantas mensagens comerciais, mas é cada vez mais raro encontrá-las na caixa do correio.

Com frequência escuto anunciantes argumentarem que, sendo muito mais barata a comunicação directa digital, não fez sentido gastar-se dinheiro em papel e portes postais.

Adivinhem então quem é que me fez chegar esta semana uma mensagem em papel, envelopada em papel e distribuída pelos obsoletos correios de sacola às costas?

Pois é: nada menos do que o Google em pessoa, convidando-me a retomar o meu investimento regular no AdWords e aliciando-me com uma oferta de espaço grátis se a utilizar dentro de certo limite temporal.

Por que farão eles isso? Acaso não estarão informados de que existe uma coisa chamada internet, por meio da qual é possível endereçar publicidade baratérrima a quem quer que possua um endereço de email?

Eu apostaria antes noutra explicação. Eles sabem que, sendo embora incomparavelmente mais barato, o email tem todavia as desvantagens da banalização e da irrelevância, do que resultam taxas de resposta centenas ou milhares de vezes mais baixas.

Quanto mais se vulgariza o email e se entopem as caixas de correio electrónicas, mais valioso se torna o canal de direct mail tradicional.

O papel tem um peso simbólico incomparável. Impõe a sua presença e exige atenção.

Quem recebe uma comunicação em papel nos dias que correm, sabe que o emissor investe a sério na criação ou consolidação de um relacionamento com o destinatário. Por isso, em vez de disparar milhões de emails a ver se pega, não hesita em gastar dinheiro de verdade para atingir os seus propósitos.

Deixemos o vápido email aos amadores. Os direct marketers que se prezam não desistirão tão cedo de recorrer aos suportes físicos para chegarem à fala com os seus clientes.

Será isto tão difícil de entender?

7.1.10

6.1.10

Pela boca morre o peixe



Sublime ironia: esta campanha demagógica foi para o ar pouco antes de as tempestades de Dezembro terem posto a nú o pouco caso que a EDP faz dos seus clientes.

No Oeste, houve quem ficasse sem electricidade durante uma semana, porém a principal preocupação da EDP foi explicar que, legalmente, não lhe poderia ser assacada qualquer responsabilidade - leia-se: exigida qualquer indemnização.

Mas não teria sido esta uma excelente oportunidade para a EDP "dar o que tem a mais a quem tem a menos"?