19.3.09

Menos é mais?

A Galp tem no ar uma campanha para encorajar as pessoas a partilhar o automóvel, através do seu novo serviço GalpShare. Um dos argumentos, ora vejam, é a possibilidade de poupar combustível.

Louvável causa, e à Galp só fica bem uma atitude tão responsável. Mais louvável ainda (ou pelo menos é isso que se quer que pensemos) por estar a gasolineira a pregar contra os seus próprios interesses.

Não é caso sem exemplo. A Tabaqueira faz campanhas anti-tabaco junto dos adolescentes. Lembro-me de um filme premiado da TVE a ensinar às crianças espanholas que todos os televisores têm um botão de desligar.

No caso da Galp, no entanto, pergunto-me: será que a empresa acredita mesmo que a campanha funcionará – no sentido de levar muitas pessoas a uma mudança de comportamento que reduza significativamente o consumo?

Não sei por quê, mas cheira-me que não. Em todo o caso, como aqui há um instrumento de medida objectivo, não há nada como esperar pelas adesões – e, mais ainda, o uso efectivo do serviço.

Seja como for, para a Galp, a verdadeira medida da eficácia da acção não está provavelmente aí. Mesmo que as adesões não sejam grande coisa, a campanha já fez o seu trabalho de imagem. Se as adesões forem muitas, mas depois a ferramenta não tiver grande uso, a Galp já tem mais uns quantos consumidores envolvidos e identificados. E, ainda que o GalpShare seja usado de facto por bastante gente e por bastante tempo, não é de prever – com as cidades e os hábitos culturais que temos – que faça grande mossa ao consumo de carburantes. O que, para a Galp, estará perfeitamente OK.

Resumindo: do ponto de vista da Galp, quanto menos eficaz a acção for, mais eficaz será. Estarei enganado?

7 comentários:

Anónimo disse...

Estás certíssimo !

É a versão "pitrol" das campanhas "beba com moderação" de quem pretende que se beba ... muito

"Anónimo, do 1º ao 7º (...)"

Anónimo disse...

Foi sem dúvida uma optima campanha. Em primeiro lugar porque melhora a imagem (temos de admitir que ainda que ninguém siga o conselho da galp, a verdade é que fica sempre bem à empresa aconselhar as pessoas a gastarem menos combustivel) e porque se trata também de responsabilidade social na medida em que poupamos dinheiro e poluimos menos o ambiente.

Não acredito que a Galp pretendesse que as pessoas partilhassem os automóveis para gastarem menos combustivel... acredito sim que a Galp apenas quer passar uma imagem de organização atenta e preocupada com os consumidores e com o ambiente.

Por si só, já ganhou pontos junto do consumidor.

E modestia a parte... a campanha foi muito bem conseguida, o spot publicitario agradou-me imenso.

M.Monteiro

João Pinto e Castro disse...

Parece-me óbvio que, se o público não acreditar que a recomendação é sincera, a imagem da Galp não ganhará nada com a campanha. Não só as pessoas não só tolas como a sua predisposição para aceitar conversa da treta se encontra ao nível mais baixo dos últimos 60 anos.

Anónimo disse...

a grande questao é mesmo essa... não querendo menossprezar os portugueses mas infelizmente ainda existem muitos portugueses por aí que acreditam nas supostas boas intenções das marcas/empresas. E que acreditam mesmo que a Galp está preocupada com eles...

Só mesmo quem trabalha no ramo, quem conhece de perto todas as técnicas ou simplesmente quem se interessa verdadeiramente por toda esta temática, é que percebe que se calhar a galp nao tem a intenção de vender menos combustivel mas sim, agradar o consumidor que, temos que admitir, de certeza absoluta que nao vai partilhar o seu automóvel com mais ng... portanto se o consumidor fica fascinado com a mensagem mas mesmo assim continua a conduzir sozinho um carro de 5 lugares, entao quem fica a ganhar é a galp.

M.Monteiro

GL disse...

Está certo. O que a Galp quer disfarçar é tudo o que ganhou com os preços altos dos combustíveis. Alguma coisa tinha de ser feita.
A trabalhar para a notoriedade.

Fc disse...

Sou aluno senior do curso de Maketing Publicidade e Relações publicas. Na ultima aula de publicidade, foi debatido esse mesmo anuncio e a minha opinião foi exacatmente essa, ou seja a galp, apresnta o que é moda (responsabilidade social / preocupação green) nmas no fundo o seu interesse é mesmo que continuemos a utilizar os nossos carros individualmente.
Após ler ulgum destes comentários, deixo entretanto a seguinte questão:
Não terá a Galp efectuado um estudo a "encapotado" para perceber a tendencia dos consumidores e ao recolhecer que a possibilidade de adesão seria diminuta, então porque não passar uma mensagem diferente para o mercado, tentando melhorar a imagem que a ficou após a a "crise dos combustiveis do junho de 2008?

Anónimo disse...

Concordo com a generalidade dos comentários anteriores, à excepção daquele em que o spot de rádio é elogiado. Acho o tom do spot de rádio demasiado paternalista, até parece que quem não partilha o automóvel é atrasado mental. Conduzo todos os dias sem ninguém ao lado, a não ser os filhos no caminho de e para a escola e não me revejo minimamente naquele discurso. Acho até que pode criar o efeito contrário, de repulsa à campanha, por parte dos tais solitários do asfalto. Mas se calhar, é isso que se pretende, certo ;-)?