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7.4.09

Não é por aí



Leram o dossier que a Marketeer dedicou às redes sociais no passado mês de Março?

Uma iniciativa da Fanta em 2008 teve 400 page-views mensais e reuniu 1.150 amigos. A TMN tem uma estratégia de social networking, mas não revela números. Idem quanto à Optimus. Pouco excitante, como se vê.

Em contrapartida, o UAILDE, da McDonald's (em parceria com TMN, Zon Lusomundo, MTV e BPI), parece ter mobilizado centenas de milhares de consumidores. Mas eu tenho dificuldade em entender o que é que esta trivial plataforma promocional tem a ver com redes sociais.

Ao que parece, a acção da quase totalidade das marcas mencionadas nas redes sociais depara-se com escassa receptividade. Será caso para desistir?

O Twitter do Obama contava centenas de milhar de seguidores. Mas isso não é fantástico, tendo em conta que nos EUA há centenas de milhões de eleitores.

As redes sociais não podem pretender impactar milhões de pessoas como o faz a televisão. Na maioria dos casos, mobilizarão apenas um núcleo reduzido de activistas da marca, mas essa constatação não reduz a sua importância, se daí resultar um real efeito de alavancagem. Não esperamos deste tipo de meio elevada cobertura do target, mas alto potencial de engagement.

Logo, o que mais desaponta nos exemplos citados pela Marketeer não é a modéstia dos números de consumidores atingidos, mas a pobreza de ideias que eles nos revelam.

22.2.07

Sobre a crise da imprensa diária

Um jornal é um instrumento facilitador da conversa que um país mantém consigo próprio.

A aldeia não precisa de jornais: as pessoas informam-se directamente no lavadouro ou na tasca do estado de saúde da burra da Ti Jaquina. Nas cidades, em contrapartida, os diários eram indispensáveis para estruturar as conversas em torno de temas partilhados.

Os tempos passaram, e aumentou a variedade dos intrumentos utilizados para essa finalidade. As pessoas habituaram-se a recorrer simultaneamente a várias fontes alternativas de informação, tais como diários, semanários, revistas mensais, rádio e televisão.

A proliferação dos media levou à fragmentação de experiências e interesses. A multiplicação dos espaços públicos liquidou a uniformização do espaço público. A sociedade é hoje uma nebulosa composta de sub-grupos vagamente conectados: os media também. Os diários não podem subsistir isolados da nebulosa mediática que os envolve. Mas tampouco podem deixar-se dissolver nela.

Um diário é antes de mais um agregador de uma comunidade de leitores. Porém, o que a une não é o jornal, mas uma identidade de interesses, estilos de vida e pontos de vista.

Que factores asseguram a coesão dessa tribo? – Mitos fundadores, sinais de identidade, rituais, instituições e canais de comunicação.

Há sérias razões para duvidar que a cultura própria dos leitores de diários se encontre ameaçada. Por exemplo, com a decadência dos cafés desapareceram os vespertinos. Onde é que as pessoas podem hoje ler o jornal da manhã? As que não usam os transportes públicos não podem, na maioria dos casos, fazê-lo no local de trabalho.

Depois, à medida que o espaço público vai ficando restringido aos centros comerciais deixa também de haver locais onde se comentam as notícias do dia. Este processo de des-socialização da vida quotidiana afecta os diários, visto que eles serviam exactamente de instrumento de lubrificação do convívio social.

As pessoas encontram-se crescentemente remetidas para três espaços específicos: a) a família; b) a profissão; e, quando existe, c) o hobby. Ora, o que interessa a umas profissões não interessa a outras, e o mesmo se passa em relação aos hobbies. Daí a proliferação de media especializados.

O caso das famílias é algo diferente, na medida em que, tirando as disfuncionais, quem viu uma viu-as a todas. Daí os assuntos relacionados com a vida doméstica – desde a educação dos filhos à decoração do lar – se terem tornado presença obrigatória nos mass media.

Vemos assim que tende a reduzir-se a base de clientes da imprensa diária com interesses vastos por tudo o que se passa no mundo. Que espaço resta para a imprensa diária “séria”?

A resposta a esta pergunta só pode ser encontrada descobrindo um sistema de alianças na nebulosa meditica que permita associar os diários a forças em expansão.

A imprensa popular é tributária da televisão, das revistas do coração e dos jornais desportivos. Prolonga a discussão desses temas de uma forma apelativa para o seu público.

Com que aliados de poder equivalente poderá associar-se a imprensa dita de referência? A resposta parece-me óbvia: a internet e os blogues.

Estabelecido isto, resta pensar como fazê-lo.

(To be continued)