2.6.08

Quanto valem os patrocínios?

Muito oportunamente, pergunta hoje o Jornal de Negócios o que ganham as marcas em patrocinar festivais de música.

A resposta certa, claro está, é que depende. Quando apenas se pretende notoriedade, é evidente que o patrocínio de eventos com grande projecção mediática pode revelar-se altamente compensador, e as contas nem sequer são difíceis de fazer.

Mas será notoriedade o que mais falta faz a marcas como o Millennium, a Vodafone ou a Sagres? Sendo a resposta negativa, que indicadores são utilizados para investigar que transferências de imagem ocorrem e que benefícios delas decorrem para as marcas patrocinadoras?

Que eu saiba, embora as despesas com patrocínios igualem ou excedam frequentemente as despesas com publicidade, é muito reduzido o esforço feito para avaliar o retorno efectivo do investimento realizado. Podemos assim legitimamente perguntar-nos se, como afirma o Henrique Agostinho, não será verdade que "os patrocínios a festivais são actos de ego e não de negócio".

Tendo em conta as fortunas actualmente despendidas com patrocínios, não se entende porque não se gasta uns cobres a investigar se eles valem ou não a pena. As metodologias existem e estão testadas. Por que não aplicá-las?

4 comentários:

Anónimo disse...

Mas o patrocínio será a comunicação por excelência das marcas líderes. Se a Coca-Cola pensasse que não precisa de mais notoriedade, já teria sido destronada há muito. É claro que o Milénio e a Sagres precisam de mais e mais notoriedade. Se há um tipo de comunicação que lhes cabe, será o patrocínio. Bastava isso, o excesso de notoriedade quase que permite a essas marcas deixar de comunicar via advertising. Muito mais significativo será estar ao lado do consumidor em momentos marcantes da sua vida, como um mega festival de música.
Uma última nota: o que seria do Milénio BCP se este ano ficasse de fora do Rock in Rio, após aquela história de loucos e caso de estudo mundial sobre o qual poder-se-ia escrever uma enciclopédia sobre como dar cabo de uma marca em 6 meses. Provavelmente aquela instituição bancária ficou praticamente refém de Medina e do seu festival.

GL

Anónimo disse...

A comunicação de um líder passa por definir territórios, sempre... na cabeça do consumidor inclusive. Se uma Vodafone não participasse, a TMN tomaria o seu lugar... de certeza.

O sucesso de eventos do género do Rock in Rio é simplesmente não permitir a que lhe sejam indiferentes. Não é só um evento, é uma marca com mais de 20 anos que possui uma base de clientes-seguidores. Ou se está com ela ou não está. Quem arrisca?

GL

GL disse...

Só mais uma nota. E o que dizer dos spots do Crédito Imobiliário do BCP que passou várias vezes nos telões, para 120.000 jovens/jovens de espírito aprisionados durante horas no recinto do festival... quase que se pode dizer que a expressão "marketing directo" poucas vezes fez tanto sentido. E com requintes de crueldade...

Gal Rocha disse...

Um dia, pasando pela Alameda D Afonso Henrique, fui surpreendida com um futuro grande evento a caminho (pelo menos para mim que sou brasileira e profissional na área de eventos e fotografia). Estava "in loco" na estrutura que a Sagres e a OPtimus organizaram para o Campeonato Europeu.
Claro que acompanhei o desenvolvimento daquela estrutura.
Meu marido, portugues, matou logo a charada depois das primeiras bandeiras da Sagres, e posteriormente da Sagres... A surpreendida brasileira, fez um blog e encaminhou para diversas pessoas de eventos do Brasil...
Gratis...
www.sagres-portugal.blogspot.com
www.gal-rocha.blogspot.com
Obrigada pelo material do patrocinio. Neste momento estou no Brasil, embora resida em Lisboa, realizando 3 eventos de médio porte e "uma frase" desse blog foi de grande importancia para convencer um dos meus patrocinadores.
Tenham um bom dia e muito sucesso!