5.12.03

O pai da criança de faca na mão

O primeiro artigo académico sobre segmentação dos mercados foi publicado em 1956 por Wendell Smith. No entanto, mais de vinte anos antes, uma brochura da J. Walter Thompson já expunha com grande clareza esse conceito.

Cada vez encontro mais provas de que o marketing moderno foi, de facto, inventado pelas agências de publicidade.

É verdade que já no princípio do século XX se publicavam livros sobre marketing e se ensinavam cursos de marketing, mas o seu conteúdo cingia-se a temas de distribuição e logística.

Diz-se frequentemente, com toda a razão, que o marketing não se resume à publicidade. Todavia, aquilo que se pode fazer em marketing é condicionado pela viabilidade de comunicá-lo eficaz e eficientemente. Talvez isso explique o papel pioneiro desempenhado pelas agências na emergência do conceito de marketing.

Agora, pergunto eu: acaso não será verdade que os especialistas de comunicação de marketing continuam hoje, pelas mesmas razões, a deter o mesmo papel chave no processo geral de marketing? Ou seja, não será um facto que, embora a comunicação não seja tudo, tudo em marketing é comunicação?

E, se assim for, não revela isto que os publicitários continuam, se forem capazes de valorizar o seu métier, a ter o queijo e a faca na mão?

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